Recordações

Bênçãos

 

rio

Por: Zeneide  Ribeiro de Santana

Walkiria Antonini de Souza foi uma boa amiga, com quem tive o prazer de conviver algum tempo. Era missionária e viveu por cerca de quarenta anos na Amazônia, bem ao norte, às margens do rio Içana, na divisa do Brasil com a Colômbia e a Venezuela.

Vinha, às vezes, a São Caetano, em férias, e conversávamos bastante, prazerosamente.  Partiu, já há alguns anos. Lembro-me dela com saudade. Simples, alegre, de bom humor, sempre ativa. Mas, o que mais me impressionava nela era a fé e sua intimidade com Deus, surpreendente.

Registro aqui duas das muitas bênçãos que compartilhou comigo. A primeira foi quando ainda fazia o curso preparatório para a Missão Novas Tribos, no Instituto Peniel, em Jacutinga, sul de Minas. Ela contava que lá a vida era muito simples e que era difícil se manter, pois tinha ido pela fé e o curso era mantido por ofertas. Num sábado, ela orou mais ou menos assim: ” Pai, obrigada por estar aqui, por tudo que estou aprendendo, mas preciso muito de um sabonete. Não sei como vou tomar banho, hoje. Por favor, Pai, dá-me um  sabonete!” À tarde, um casal apareceu para conhecer o local e ela, gentilmente, como sempre, mostrou todas as dependências. Quando foram embora, a mulher disse que iria colaborar financeiramente com o Instituto, mas, no momento, não estava preparada. Depois, num impulso, abriu a bolsa e tirou umas moedas, que colocou no bolso da saia da Walkiria, exatamente o valor de um bom sabonete!

Uma outra vez, já na aldeia dos índios baniwa, onde ensinava as crianças,  prestava serviços de enfermagem e até extraía dentes, houve um período de muita chuva. Essa aldeia  era distante de tudo e o único acesso era o rio; às vezes, os barcos nem chegavam. Ela e o casal de missionários começaram a orar por bom tempo. Numa manhã, ela abriu as latas de mantimento, já vazias e falou: “Pai, olha o fundo dessas latas! Precisamos da tua ajuda!”  Tinham apenas algumas frutas e farinha de mandioca, fabricada pelos índios,  a que juntavam água para fazer uma espécie de caldo (o chibé), para se alimentar. Então, à tardinha, chegaram as tão esperadas mercadorias.

Coincidência? Prefiro crer que foi o cuidado de Deus, que é fiel, especialmente para os que nele confiam. Afinal, a intimidade do Senhor é para os que o temem…” ( Salmo 25: 14 )

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Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

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