Cotidiano

Emburrado

Burro 471080 Por: Zeneide Ribeiro de Santana

Há uma história, em nossa família, de um tio-avô do meu pai, gênio forte, que se enfezava por pouca coisa. Diz a lenda que, quando ficava muito bravo, não comia, não falava com ninguém e ficava horas atrás da porta.

– Pronto! Ele já pegou o Diamante!- comentavam os familiares.

Bem mais tarde, quando saía da crise:

– Até que enfim, ele soltou o burro! Diamante era o nome do burrinho de estimação lá do sítio. Pegar o Diamante significava ficar emburrado – o que, até hoje, muitas décadas passadas, ainda se ouve dizer na família, sempre que alguém se comporta assim.

Creio que todos conhecem pessoas que costumam fazer  isso: por qualquer motivo irrelevante mudam de humor, reclamam, murmuram. Também amarramos nosso Diamante!

Aquele paralítico da narrativa bíblica, nas proximidades da Porta Formosa, que por muitos anos aguardava sua vez de entrar nas águas para ser curado, questionado por Jesus sobre seu desejo de cura, pôs-se a se lamentar, dizendo que ninguém se importava em ajudá-lo a entrar no tanque. Jesus ali, disposto a atendê-lo e ele só reclamando, como um menino emburrado!

Mas, por que criticá-lo, se frequentemente agimos do mesmo modo? Sabemos reclamar bem e nos fazer de vítima: “Oh Céus, oh vida, oh azar!” … Já repararam, em quanta gente anda resmungando até pelas redes sociais? Com essa atitude, além de prejudicar relacionamentos, perdemos ótimas oportunidades de ser abençoados com restauração e  cura.

Precisamos nos despir do excesso de sensibilidade e manter o foco naquilo que realmente importa. O mundo e nem todas as pessoas estão contra nós!  Pelo contrário, “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31). Não é maravilhoso?

Então, vamos desamarrar nosso Diamante?

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

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