Cotidiano

Fala mais que o homem da cobra

cobra
Written by Zeneide

 

– “Minha sogra reclama mais que o homem da cobra! – foi o que ouvi uma funcionária dizer à colega, num balcão de atendimento. A outra riu e pensei:  “Quem será esse homem?”

Fui pesquisar e descobri que era “alguém que fala excessivamente. O homem da cobra normalmente vinha do norte do Brasil. Era índio que costumava chegar às praças das cidades trazendo chás, ervas, lagartos, aranhas e cobras. Primeiro o homem mostrava o bicho, por exemplo a cobra, e falava do quanto ela era perigosa e venenosa. Depois  mostrava as ervas e os chás que trouxera, que eram bons para reumatismo, para isso, para aquilo. Ele falava sem parar, não dava espaço para perguntas ou questionamentos; rapidinho vendia tudo o que tinha e sumia do mapa. Assim quando alguém fala sem parar diz-se que fala mais do que o homem da cobra.”

Mas achei também outra explicação, que desconhecia:

Em meados da década de 20, um norte americano que havia chegado ao Brasil com a família, começou a fazer empréstimos aos moradores de uma cidade em Minas Gerais. O jovem financiava os custos agrícolas de muitas famílias e era imparcial quanto aos prazos e cobranças de seus empréstimos. Não demorou muito e ele ficou conhecido como o “Homem da Cobrança” e fazia de tudo para reaver o valor emprestado. Era uma característica desse rapaz utilizar-se de discursos intermináveis, que acabavam por ter um efeito hipnótico em seus devedores. Ele falava por horas a fio e não demorou muito para que o rapaz fosse taxado como um chato tagarela. O povo da cidade logo que o avistava, dizia:
– Lá vem o homem da cobrança!!! La vem o homem que cobra… lá vem o homem da cobra.
– Como fala esse homem da cobra!

Nasceu aí o ditado popular: Fala mais que o homem da cobra.

Na verdade, às vezes  falamos mais do que deveríamos, especialmente quando algo ou alguém nos desagrada. Num momento de tensão chegamos a esquecer nossos bons propósitos e despejamos palavras que nos irão causar arrependimento. Esquecemos que “a boca fala do que está cheio o coração”.

Entretanto, penso que vale a pena decorar, guardar bem e praticar esta sábia advertência:

“A  felicidade está em deixar de reclamar por aquilo que não conseguimos, e passar a agradecer por aquilo que não perdemos”  (Ivan Teorilang)

 

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

Leave a Comment