Tere, tia querida que se despediu hoje, uma vez comentou que várias pessoas da família são ou serão lembradas pelos seus dons e talentos: crochê, tricô, scrapbook, além da arte musical ou literária. E acrescentou ” Só de mim não vão se lembrar, eu não sei fazer nada!
Gary Chapman, autor do best seller “As Cinco Linguagens do Amor” discorre a respeito das diferentes formas pelas quais nos sentimos amados e valorizados. Chapman diz que para termos um relacionamento saudável e feliz, precisamos descobrir e compreender qual é a linguagem do amor do nosso par.
Ele resume as 5 linguagens do amor em: palavras de afirmação, tempo de qualidade, presentes, atos de serviço e toque físico.
Então, respondi para ela :
– Claro que será lembrada. Você é a tia dos pacotinhos!
– Hahaha! De onde você tirou isso?
– Sim, tia, você nunca recebe ou faz uma visita sem oferecer um pacotinho de presente!
Verdade. É só perguntar para os familiares sobre algum mimo que recebeu dela. Com certeza todos se lembrarão de algum presentinho.
A linguagem do amor dela era a de presentear. Não necessariamente um objeto valioso, mas algo com significado, ” a cara” do presenteado. E o querido tio Loro, seu companheiro e cúmplice, alegremente ajudava, com brinquedos e guloseimas para a criançada.
Hoje, na despedida, foi lembrada com gratidão por ter sido sempre acolhedora e hospitaleira. Sua farta mesa de café da tarde ficou na memória de todos nós.
Seu único filho, sua nora e seus dois netos foram o alvo por excelência dessa demonstração de amor. Mesmo no final dos seus dias, com dificuldade para caminhar, dava seu jeitinho para saber das necessidades e preferências para, assim, “encomendar” e presentear com acerto.
Gostava também de conversar e, ultimamente, o tablet e o celular a ajudaram a se comunicar e a saber das novidades, principalmente dos amigos da sua saudosa Angatuba.
Completou recentemente 91 anos bem vividos e logo em seguida partiu, sem cumprimentos presenciais. Em vez de ganhar presentes, deixou para cada um de nós que a amamos o exemplo de que, realmente, “é mais bem aventurado dar do que receber”.
Obrigada, tia querida! Seus pacotinhos ficarão como memória viva da sua generosidade.
Vá em paz!
