É comum, nas visitas a enfermos, internados ou não, perguntarmos se o paciente está sentindo dor.
Geralmente médicos chegam a receitar remédios para combater as dores do paciente, antes mesmo de ter o diagnóstico preciso. Parece até que, quando medicada, a pessoa começa a se sentir melhor, se não pelo efeito do remédio, pelo efeito psicológico.
Quando meu marido fazia tratamento oncológico, sua médica dizia que ele não precisava sentir dor e, para isso, caprichava no receituário. De fato, ninguém precisa de qualquer dor física, pois já bastam as dores emocionais, as preocupações e angústias que solapam a energia e a paz de espírito. E, quase sempre, as dores físicas são consequências das emocionais… É a tal somatização, bem real. E, para certas dores, o anestésico se torna completamente inútil…
Penso que não dá para comparar a intensidade da dor. Não é possível dizer “sei o que você está sentindo” ou ” já passei por isso” pois cada ser é único e sente tudo do seu jeito, de acordo com as circunstâncias que enfrenta.
Apesar disso, é possível acolher a dor alheia com empatia. Se não podemos oferecer analgésico eficaz, nossos ouvidos podem ficar atentos, não para dar respostas que nem temos, mas para compreender. Basta estar presente para oferecer o ombro amigo, o abraço sincero, num silêncio respeitoso. Creio que esse é o melhor modo de amenizar um pouco o sofrimento do outro e de pensar nos que sofrem muito mais que nós.
Saudade da infância, quando um sopro ou um beijinho da mãe curavam tudo magicamente!
Que Jesus Cristo, aquele que teve e tem compaixão genuína, nos ensine a acolher a dor alheia e a oferecer ajuda, mesmo que seja em forma de uma curta e simples oração. “Perto está o Senhor“, sempre.
