Sabemos que a expressão “instagramável” se relaciona a algo tão bonito que merece uma postagem no Instagram.
De repente parece que houve uma corrida em busca de boas fotos, lugares incríveis, decorações deslumbrantes, pratos atraentes, pessoas aparentando felicidade sem fim…
Esse comportamento não é apenas individual, pois as grandes marcas, as empresas, influencers em geral se esforçam para encontrar maior visibilidade e aceitação.
E nós, as pessoas comuns, como ficamos? Que influências tudo isso pode causar naqueles que consomem essa beleza toda exibida nas fotos incríveis?
Não é sobre a necessidade de desligamento das redes sociais, embora alguns, poucos, consigam. Mas, é preciso refletir sobre como é nocivo se deixar levar por tudo que é considerado instagramável…
No final do ano passado, participando da festa de encerramento do ano letivo dos meus netos, vi minha nora em lágrimas, de tão emocionada com a apresentação do João, como coelhinho e da Helena, como borboleta, numa linda encenação musical. Quando alguém tocou seus ombros pedindo que fotografasse, ela fez um gesto de “deixa pra lá“. Queria viver, curtir aquele momento único. Presenciar isso me deixou bem feliz,
Chegamos ao fastio de tanto ver sorrisos tatuados em rostos que insistem em mostrar felicidade. Fotos em grupo de amigos ou familiares muitas vezes impressionam pela encenação de entusiasmo, descontração e até mesmo ostentação! E depois do clic?
Como bem escreveu Fernando Pessoa, no seu Poema em linha reta “Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?”
Por que não tentamos ser instagramáveis quando ninguém está vendo? A beleza da integridade sempre é aprovada por aquele que nos conhece profundamente. Por isso, oramos como o salmista:
” Sonda-me ó Deus e conhece o meu coração, vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.”
