Ouvi esta história de uma moça que conheci recentemente e que orienta minhas sessões de Fisioterapia. Carol é jovem, bonita, simpática e se dedica com muita competência aos seus pacientes.
Uma vez- contou ela- foi contratada para atender um senhor idoso na residência dele. Estava doente, debilitado e com problemas de memória também. Logo que ela entrou no quarto, ele abriu um sorriso emocionado e falou:
– Claudinha, minha neta, você voltou?!
– Não, sr. Alberto, eu sou a Carol, a fisioterapeuta que vai cuidar do senhor!
Ele pareceu não entender e continuou a chamá-la de Claudinha…
À saída, lhe contaram que a neta a quem ele se referia era a primogênita, sua preferida. E ela sumira no mundo, se afastara da família e dos amigos procurando seus próprios caminhos ou descaminhos… Nunca mais tiveram notícias dela, o que os deixava muito tristes, principalmente o avô, que se esquecia de tudo e de todos, menos da neta amada.
A partir daquele dia, Carol não se importou por ter o nome trocado. Virou a Claudinha, recebida carinhosamente pelo avô todos os dias. Ele fazia os exercícios com boa vontade, apesar de suas limitações.
A família agradeceu a compreensão da profissional e acreditava que o senhor Alberto estava melhorando, parecia mais animado e se alegrava visivelmente com a chegada dela.
Porém, quando já estavam acabando os procedimentos, ele passou mal e não foi mais autorizado a continuar as sessões. A jovem o visitou, falou com ele e se despediu, sendo chamada o tempo todo de Claudinha.
O sr. Alberto partiu tranquilo, acreditando que havia reencontrado a neta querida.
Carol terminou sua narrativa com ar triste, ainda parecendo sentir o drama daquele avô.
Registrei a história e só tenho uma maneira de encerrar o texto: pedindo a Deus misericórdia para os velhinhos e velhinhas enfermos, sem memória, ou mesmo para os que estão saudáveis, mas se sentem sós e abandonados dentro da própria família.