Vera, sua partida foi tão repentina, tão inesperada, que bloqueou até meu ânimo para escrever. Só agora posso registrar aqui meus sentimentos.
Conversamos bastante no Natal passado, compartilhamos lembranças, preocupações e esperanças também. Afinal, tínhamos muito em comum: profissão, algumas convicções e, especialmente, a família que nossos filhos formaram e nosso amor pelos netos tão queridos. Você chegou a comentar que gostaria de morrer dormindo. E foi atendida! Mas, não precisava ser tão depressa… Logo agora que estava bem, na tranquilidade da casa construída aos poucos, em que cuidava amorosamente das plantas e acolhia com carinho familiares e amigos.
Ficou a dificuldade de lidar com a dor da separação que ainda vai perdurar por um longo tempo. Mas, preciso dizer que o bem que você fez, as sementes que plantou em seu trabalho de educadora, os jovens que encaminhou, a ajuda que prestou a tantos carentes, tudo isso ficará como parte de você que não será esquecida.
Quanta gratidão sentimos nos vários testemunhos tanto pessoalmente como pelas redes sociais, do seu desprendimento e do seu amor ao próximo! Você permanecerá viva na memória de todos que a amavam, de todos aqueles que receberam de você algum gesto de amor e de solidariedade.
Não há como esquecer sua voz pausada, suas palavras sensatas, seus conselhos cheios de sabedoria e também sua determinação. Ficará gravada na memória dos que conviveram com você.
Sou grata a Deus pela sua vida, pelo tempo que tivemos em família e pela amiga, educadora, esposa, tia, mãe, sogra e avó que você foi.
Hoje, num exercício de imaginação, consigo visualizar você caminhando livremente, sem dor, pelos jardins da casa do Pai. Ali seus olhos brilham de encantamento, contemplando a beleza e sentindo o perfume das mais lindas flores.
Até breve, amiga!
Foto de Hanna Pad
