Cotidiano

O que ninguém vê

Written by Zeneide

 

Li sobre pessoas que caminham pelos cemitérios e colocam flores em túmulos abandonados. Por que fazem isso? Há muitas possíveis respostas, mas acredito que seja por pura necessidade de homenagear esquecidos ou desprezados. Não estão à espera de agradecimentos ou aplausos. Não precisam ser vistos ou elogiados…

Fico pensando em tantas ocasiões em que ignoramos ou mesmo criticamos o gesto de pessoas, algumas anônimas, que nos servem a cada dia. Mesmo em casa, no convívio diário, trabalhos silenciosos nos trazem conforto, comodidade e bem-estar: a água gelada nas garrafas cheias, o papel higiênico sempre à mão, as roupas sujas do cesto que aparecem magicamente limpinhas nos cabides e nas gavetas…
Quando nos sentamos para comer, será que podemos agradecer pelo número incontável de pessoas que contribuíram para saborearmos a salada mista ou o bife acebolado?

Dizem que o caráter é definido pelo que fazemos quando ninguém está olhando. Entretanto, somos tão desejosos de reconhecimento… Queremos que nos agradeçam, nos elogiem, que lustrem nosso ego carente!

Atitudes simples, que nada custam, podem beneficiar muita gente: apanhar uma batata que caiu da banca no mercado, arrumar a tampa da lixeira, recolher a casca de fruta do chão, colocar água numa planta que está secando, ajeitar a coberta da velhinha na cadeira de rodas…

Ah, Senhor, como somos falhos! Temos nos esquecido dos teus ensinamentos, não conseguimos nem nos amar para poder amar os outros…Entretanto, mesmo que ninguém nos veja ou agradeça, nada foge ao teu conhecimento.

Por favor, Senhor, que tudo sabes e tudo vês, examina nosso coração, redefine nossa rota e nos direcione para os teus caminhos! Que sejamos muito mais gratos e disponíveis para servir, mesmo e principalmente quando ninguém nos vê! Amém.

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.