Cotidiano Humor

Micos

Por: Zeneide Ribeiro de Santana

Em outros tempos chamava-se fora ou “gafe”; hoje chama-se “mico”. Conhecem alguém que nunca pagou mico?

Lembro-me de um caso, em Itapetininga, quando os pais da nossa amiga Tirza foram ao cinema e chegaram com as luzes já apagadas. Ele foi abrindo caminho, procurando lugares. Ela percebeu que ele parou lá adiante; então, pediu licença, sentou-se e segurou no seu braço, dizendo: “Que escuridão, né, bem?”  Como não ouviu resposta, olhou para o lado e viu que, apesar de careca e usar um sobretudo cinza, não era o Sr. Henrique. Envergonhada, desculpou-se para ir até ele, que acenava lá na outra fila.

Nessa mesma época, uma colega, então adolescente, precisou sair e a mãe dela, como todas as mães, obrigou-a a levar guarda-chuva, pois o dia estava nublado. Obediente, ela  foi ao banheiro pegar um grande, daqueles com cabo de madeira, e atravessou todo o centro de Itapê com o dito cujo pendurado no braço, pois não choveu. Aí começou a notar que todos a olhavam e umas crianças apontavam para, ela dando risada. Só então reparou no gigantesco sutiã da sua mãe enroscado no guarda-chuva, arrastando-se pelo chão. Foi o assunto das aulas do dia seguinte…

Há poucos meses, fui à igreja, num domingo à noite. Na primeira oração, olhei para baixo e levei um susto: estava com um pé de sapato preto, novo, bonitinho, e outro marrom, todo velho, detonado. Saí disfarçadamente, não antes de mostrá-lo à minha irmã, que ficou rindo de mim. Quando, mais tarde, contei isso, muita pessoas me descreveram situações parecidas: blusa com rasgão na manga, zíper aberto, sapatos de cores e tamanho de saltos diferentes e até brincos  novos com etiquetas de preço penduradas neles.

Não posso concluir sem relatar um dos micos mais recentes da Zelia, aquela minha irmã do “Supermercado”, da Blasfêmia” e da “Panela Velha”. Fez umas compras no centro de São Bernardo e, como estava carregada, ligou pedindo para o marido ir encontrá-la num determinado lugar. Quando viu o carro parado, admirou-se da rapidez dele. Chegou abrindo a porta, jogando as sacolas no chão do veículo e falando: “Que bom que você veio logo!” Quando foi sentar-se, quase caiu no colo de uma mulher que começou a gritar de susto. Carro igual, motorista diferente que, na esquina, assistiu a tudo, se matando de rir.

Micos! Quem está livre deles? Não é mesmo, Diva?

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Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

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