Humor Recordações

Sorvete nojento?

picoles
Written by Zeneide

 

Quando passávamos as férias em Serra Negra, na zona rural, as crianças se divertiam  muito. Juntavam-se aos amigos, filhos dos vizinhos e brincavam a tarde toda. Nem queriam ir à cidade, mas quando eu ia, sempre encomendavam salgadinhos e sorvetes.

Num dia quente em que voltei das compras bem cansada, encontrei a criançada entretidíssima, brincando de confeitaria : faziam bolos, brigadeiros e outros mil docinhos de barro, que arrumavam numas prateleiras improvisadas com tabuinhas e tijolos, restos de construção. Havia  até uma mesinha, que servia de balcão .

Então, guardei os picolés no freezer, para depois do jantar, mas falei para a minha mãe pegar o que quisesse.

Quando estava me trocando, ela me chamou:

– Venha ver que sorvete mais nojento!

Fiquei admirada –  era um Chicabon, da Kibon – mas fui olhar. Ela me mostrou o picolé, dizendo:

– Veio com um dente grudado. Que nojo!

Era verdade. Só que, quando olhei para ela, lá estava a falha do dente incisivo superior. Vendo minha mãe banguelinha, não aguentei: caí na risada, sem controle.

Assim que ela percebeu o que tinha acontecido, ficou muito  nervosa e eu me arrependi de ter rido. Na mesma hora me destroquei e a levei à cidade para procurar um dentista.

Quando ele terminou de arrumar o dente, falou:

– Pronto, dona Bráulia! Agora é só ficar algum tempo sem morder sorvete de palito…

Não tenho certeza, mas acho que ela obedeceu àquela recomendação até o fim dos seus dias.

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

6 Comments

  • Eu me lembro dessa história, mas não consigo deixar de rir cada vez que você conta para alguém. Ela ficou muito nervosa mesmo, quando viu que estava sem um dente…

    • São muitas as histórias de família… Aquela da laranja não presenciei, mas foi divertida…

  • Ela ficou tão nervosa como daquela vez que quebrou os óculos, lá em Serra Negra também. Nossa mãe era séria, mas gostava de contar “causos” , né?

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