Cotidiano

Desculpas

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Written by Zeneide

 

Quase todos nós somos campeões em arranjar desculpas para falhas, esquecimentos e até deveres. As mais batidas: falta de tempo, pneu furado, trânsito, gripes, diarreias, doença da mãe, morte da avó… Essa última foi usada  por um aluninho meu, de quinta série, por ter faltado no dia da prova. Quando dei os pêsames à mãe dele, na reunião de pais, ela levou um susto: “Como? Minha mãe está bem viva, graças a Deus, e a chata da minha sogra também! Ah, mais uma que esse moleque me apronta! Faltou porque disse que estava com dor de barriga”.

Há também algumas desculpas que, além de esfarrapadas, são originais: “Professora, não trouxe o trabalho porque, quando vim para a escola, tava a maior chuva e tive que pular uma enxurrada; aí o trabalho caiu e foi engolido pelo bueiro.”  Só que ele e o resto do material estavam bem secos, o que provocou os risos da classe E ainda queria nota pela criatividade!

Um outro aluno, este já concluindo o Ensino Médio, não leu o livro solicitado há mais de um mês e faltou no dia da avaliação. Na aula seguinte, segunda-feira, veio se desculpar, pedindo nova chance. Como já era combinado com a turma, disse que poderia fazer a prova naquela aula mesmo, com valor oito. Aí ele pediu mais uma semana de prazo e não concordei, de jeito nenhum. Então ele se aproximou, baixou a voz e disse: “Nem por cinquentinha?” (Isso foi no início do plano Real, quando o dinheiro valia bem mais). Resultado: precisou fazer recuperação.

Parece bem difícil se livrar do hábito de encontrar desculpas. Mas, penso que quando se trata de fazer o bem, de ajudar o próximo, devemos nos esforçar mais, achar disposição para agir imediatamente, sem omissões ou adiamentos. Quase sempre as necessidades são urgentes. Nesse ponto, concordo com o que escreveu Voltaire: “Todo homem é culpado do bem que não fez.”

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Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

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