Cotidiano

Uma lenda chinesa

Por: Zeneide Ribeiro de Santana

Há tempos, na China, Lin casou-se e foi viver com o marido e a sogra. Pela tradição, deveria ser submissa à  sogra. Logo viu que isso seria impossível, pela diferença de temperamentos e por ser constantemente criticada. Viviam entre brigas e discussões, o que causava imenso stress ao pobre marido. Não suportando mais a situação, Lin procurou o Sr. Huang, velho amigo de seu pai, que vendia ervas. Pediu-lhe que lhe desse algum veneno para acabar com o problema para sempre. O Sr. Huang  pensou por algum tempo e respondeu que lhe daria as ervas apropriadas, desde que ela seguisse suas recomendações: deveria usar as ervas lentamente, a cada dois dias, num prato de carne de porco ou de galinha. Também deveria ter cuidado com suas atitudes, ser amigável e obediente, para não levantar suspeitas. Precisaria evitar qualquer  discussão e tratar sua sogra como se fosse sua mãe.

Lin voltou muito contente e logo começou a agir: preparava-lhe pratos especiais, acrescentando as ervas, tratava-a gentilmente, controlava seu temperamento, era obediente , enfim, tinha cuidados de filha amorosa, tudo para que não suspeitassem dela quando a senhora morresse. Depois de uns meses, a casa tinha mudado, tudo estava tranquilo, pois a sogra também não mais discutia, nem criticava. Passou também a tratá-la com carinho, chegando a dizer que Lin era a melhor nora que alguém poderia achar. Tratavam-se como mãe e filha, atitudes que alegravam o marido.

Um dia, a jovem voltou a procurar o Sr. Huang, preocupada porque não queria mais que sua sogra morresse, já que havia se transformado numa mulher agradável a quem aprendera a amar. Então o Sr. Huang sorriu e disse-lhe que as ervas que lhe dera eram vitaminas para melhorar a saúde da sua sogra; o único veneno estava na sua mente e nas suas atitudes. Mas fora eliminado pelo amor que agora sentia.

Li essa lenda num jornal de Serra Negra e ela me fez lembrar uma diretora, Dona Luzia, já falecida. Era tão amável e educada que todo início de ano desenvolvia na escola a Campanha da Cortesia, procurando regatar alguns hábitos nos alunos : cumprimentar pessoas, agradecer, pedir licença, coisas que aprendemos na infância, mas muitos vão esquecendo…

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

2 Comments

    • Fiz uma síntese, pois o texto era longo… Gostei porque traz lições para qualquer tipo de relacionamento. A gentileza pode ser irresistível, não é?

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