Cotidiano

Aprendendo a dizer não

camaleão

 

 

Bom Dia, Todas as Cores!

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor.

– Bom dia, sol, bom dia, flores, bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha

Cheia de orvalho, mudou sua cor

Para a cor-de-rosa, que ele achava

A mais bonita de todas, e saiu para

O sol, contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz

Porque tinha chegado a primavera.

E o sol, finalmente, depois de

Um inverno longo e frio, brilhava,

Alegre, no céu.

– Eu hoje estou de bem com a vida,
quero ser bonzinho

Pra todo mundo…

Logo que saiu de casa,

O Camaleão encontrou

O professor Pernilongo.

O professor Pernilongo toca

Violino na orquestra

Do Teatro Florestal.

– Bom dia, professor!

Como vai o senhor?

– Bom dia, Camaleão!

Mas o que é isso, meu irmão?

Por que é que mudou de cor?

Essa cor não lhe cai bem…

Olhe para o azul do céu.

Por que não fica azul também?

O Camaleão,

Amável como ele era,

Resolveu ficar azul

Como o céu da primavera…

Até que numa clareira

O Camaleão encontrou

O sabiá-laranjeira:

– Meu amigo Camaleão,

Muito bom dia e você!

Mas que cor é essa agora?

O amigo está azul por quê?

E o sabiá explicou

Que a cor mais linda do mundo

Era a cor alaranjada,

Cor de laranja, dourada.

Nosso amigo, bem depressa,

Resolveu mudar de cor.

Ficou logo alaranjado,

Louro, laranja, dourado.

E cantando, alegremente,

Lá se foi, ainda contente…

Na pracinha da floresta,

Saindo da capelinha,

Vinha o senhor louva-a-deus,

Mais a família inteirinha.

Ele é um senhor muito sério,

Que não gosta de gracinha.

– bom dia, Camaleão!

Que cor mais escandalosa!

Parece até fantasia

Pra baile de carnaval…

Você devia arranjar

Uma cor mais natural…

Veja o verde da folhagem…

Veja o verde da campina…

Você devia fazer

O que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo

Resolveu mudar de cor.

Ficou logo bem verdinho.

E foi pelo seu caminho…

Vocês agora já sabem como era o Camaleão.

Bastava que alguém falasse, mudava de opinião.

Ficava roxo, amarelo, ficava cor-de-pavão.

Ficava de toda cor. Não sabia dizer NÃO.

Por isso, naquele dia, cada vez que

Se encontrava com algum de seus amigos,

E que o amigo estranhava a cor com que ele estava…

Adivinha o que fazia o nosso Camaleão?

Pois ele logo mudava, mudava para outro tom…

Mudou de rosa para azul.

De azul para alaranjado.

De laranja para verde.

De verde para encarnado.

Mudou de preto para branco.

De branco ficou roxinho.

De roxo para amarelo.

E até para cor de vinho…

Quando o sol começou a se pôr no horizonte,

Camaleão resolveu voltar para casa.

Estava cansado do longo passeio

E mais cansado ainda de tanto

mudar de cor.

Entrou na sua casinha.

Deitou para descansar.

E lá ficou a pensar:

– Por mais que a gente se esforce,

Não pode agradar a todos.

Alguns gostam de farofa.

Outros preferem farelo…

Uns querem comer maçã.

Outros preferem marmelo…

Tem quem goste de sapato.

Tem quem goste de chinelo…

E se não fossem os gostos,

O que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se

Bem cedinho.

– Bom dia, sol, bom dia, flores,

Bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha cheia de orvalho,

Mudou sua cor para a cor-de-rosa,
Que ele achava a mais bonita de todas,
E saiu para o sol, contente da vida.

Logo que saiu, Camaleão encontrou o sapo cururu,

Que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.

– Bom dia, meu caro sapo! Que dia mais lindo, não?

– Muito bom dia, amigo Camaleão!

Mais que cor mais engraçada,

Antiga, tão desbotada…

Por que é que você não usa

Uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:

– Eu uso as cores que eu gosto,

E com isso faço bem.

Eu gosto dos bons conselhos,

Mas faço o que me convém.

Quem não agrada a si mesmo,

Não pode agradar ninguém…

E assim aconteceu

O que acabei de contar.

Se gostaram, muito bem!

Se não gostaram, AZAR!

 

Ruth Rocha, ensinando a aprender com (e como) as crianças um jeito bem saudável de se proteger,manter a saúde da alma e do corpo e a amar, sendo quem a gente realmente é!

 

 

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.