Cotidiano

Sobre a tristeza

tristeza
Written by Zeneide

 

Por: Zeneide Ribeiro de Santana

“Sim, tristeza, mas aquela

Que nasce de conhecer

Que ao longe está uma estrela

E perto está não a ter.”

(Fernando Pessoa)

Normal sentir-se triste por não conseguir conquistar alguma meta, sonho ou propósito. Colocar todo esforço, empenhar-se e nada acontecer traz mesmo frustração e desgosto.Ter objetivos, projetos, propósitos é muito saudável. Desejar algo e batalhar por isso faz parte do crescimento. Mas, nem sempre se consegue atingir o pretendido, ou então, algo se modifica no meio do caminho e é preciso fazer concessões, arranjos, desvios, que acabam tornando o sonho inicial um pesadelo.

Se o desejo de conseguir ainda permanece e, se depois de se avaliar se aquilo é bom, necessário e útil, ainda persistir, creio que o projeto deverá ser retomado (deve ser retomado!) Com mais fé e determinação, poderá ser alcançado e o sabor da vitória  será bem melhor.

O que não dá é ficar se lamentando, sentindo-se infeliz, injustiçado. Campo ideal para a tristeza se instalar e tomar conta. Prefiro pensar que se a estrela está tão longe assim, inacessível mesmo, que fique lá e pare de perturbar meu aqui e agora. Posso redirecionar meus objetivos, tentar acender velas para dissipar a escuridão …

Tristeza causada por perdas já é diferente… Separação dói demais! Muito pior que prejuízos materiais, que podem ser recuperados com o tempo.

Sem dúvida, existem muitas causas para a tristeza, que sempre é sentida de modo individual, único. Por isso, respeito é bom e  julgar, jamais! Dor e mágoa  são sentimentos particulares. Só sabe quem sente… Mas Deus conhece  bem o que vai no íntimo de cada um. E o melhor, confiando nele, podemos ver cumprida em nós sua promessa:  “… vocês ficarão tristes, mas a sua tristeza  se transformará em alegria.” (João 16-20)

De repente do riso fez-se pranto” diz o verso de  Vinícius de Moraes. Que, ao contrário, o nosso pranto se converta em risos de alegria. Assim seja!

 

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

4 Comments

  • Querida Zeneide,
    Que presente maravilhoso recebo novamente através de seus textos. Eu acabei de “acender velas para dissipar a escuridão” e você me ajudou a lembrar que o Senhor jamais desampara os seus e que “a tristeza se transformará em alegria”. Da minha parte, eu peço a Deus que continue abençoando você como um instrumento de inspiração quando está se faz necessária. Um grande abraço e muito obrigada!

  • Obrigada! Você me emocionou, querida! Sei que você, com seu dinamismo, profissionalismo e sensibilidade, acende, sim, muitas velas… Que Deus lhe proporcione ainda mais alegria para que você continue sendo bênção na vida dos que a cercam. Grande abraço, também, com saudade.

  • Texto INCRÍVEL, Dna. Zê. Me definiu quase em sua totalidade. Só se sabe quem sente. Dor é particular, mesmo. “…que se a estrela está tão longe assim, inacessível mesmo, que fique lá e pare de perturbar meu aqui e agora”. (…)
    Só posso continuar admirando esse seu dom de deixar as palavras escorrerem e tomarem forma de sentimentos e sensações silenciadas, muitas vezes.
    Um beijo.

    • Carol, seu comentário, sim, é incrível!Somos um território misterioso que, às vezes, nem nós mesmos conseguimos desvendar. Só Deus, na sua onisciência, pode nos entender e orientar, por meio do seu Santo Espírito. Pode também nos renovar e devolver nossa paz. Beijo.

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