Cotidiano

Maquiagem

Por: Zeneide Ribeiro de Santana

Na maior e mais luxuosa loja de produtos de beleza que conheci, chegou uma mulher já madura, cabelos escorridos, olhar triste e abatido. Sentada ao lado, bem confortável, enquanto minha filha escolhia perfumes, assisti a tudo, pelo espelho à minha frente.

A maquiadora, uma jovem miudinha e extrovertida, de braços tatuados, acomodou-a numa cadeira e foi logo fazendo uma limpeza no rosto dela, com lenços umedecidos sei  lá com o quê.  Sempre falando animadamente, foi aplicando cremes, base, blush, sombras, rímel  e muito mais coisas, que ia retirando dos bolsos recheados do seu avental. A senhora, que nem olhara para o espelho, aos poucos, incentivada pela jovem, começou a  se interessar. Parecia gostar do que via; examinava-se  mais de perto, balançava a cabeça aprovativamente. Era óbvio que estava se achando mais bela; até sua postura era outra. Escolheu vários produtos (caríssimos!) indicados pela vendedora e saiu bem feliz, seu andar acompanhando o ritmo da música agitada.

Presenciando a cena, fiz uma analogia: muitas pessoas, frequentemente ficam abatidas de alma e necessitam  também limpar todo resquício daquilo que enfeia e prejudica o aspecto, tanto interior como exterior. Aí  estarão prontas  para receber os toques da  graça redentora que transforma, muda o olhar e a postura diante da vida.

Não se trata de vestir uma máscara, mas de interiorizar valores que elevam a autoestima. Assim, é possível refletir a beleza, o amor que encanta e atrai os outros, não necessariamente pela aparência, mas pela verdadeira  empatia, que só conseguem  transmitir aqueles que são tocados pelo amor divino.

About the author

Zeneide

Meu nome é Zeneide Ribeiro de Santana, professora de Língua Portuguesa e Literatura. Já sou aposentada e aproveito meu tempo lendo bastante e tricotando um pouco.

2 Comments

  • Ai, amiga! Como me faz bem ler as suas reflexões… Elas enchem o meu coração de esperança….

    Abraços,

    Marlene

  • Fiquei um bom tempo, sentada lá na “Sephora” e me impressionei com a cena. A mulher contrastava com todo aquele “glamour” e saiu de lá transformada!

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